Simples assim, mas nem assim tão simples...


Ele e Ela

Ela o quer, ele a quer. Ela o tem, ele a tem. Ela o ama, ele não sente absolutamente nada. Vivem entre flores e enchentes, cometem loucuras, se transformam. Agora ele é um homem, e ela, uma mulher. Ela precisa dizer que o ama, ele nem sequer desconfia disso.
Terminam. Ela, por nunca ter ouvido uma palavra de amor, ele, por uma besteira qualquer. Ele a procura, ela cede; os dois se amam loucamente, mas não com o amor necessário. Ela tem medo, prefere não arriscar.
Após uma semana longe, ela diz: "Estou apaixonada", e ele responde: "Você, em pleno século XXI, ainda acredita no amor?".
Ela, agora, já está formada; ele, mora sozinho e passa o dia todo dormindo. Se encontram novamente, não se falam, apenas mergulham em um beijo; ela, sem dar o amor, ele, sem recebê-lo. Ele se sente estranho, e ela entende o que vem a ser ficar só por ficar.
Mais alguns anos se passam, se encontram, conversam, e ela percebe que o amor não acabou. Voltam. Casam-se . Não têm filhos e vivem, nem felizes, nem infelizes, nem gostando e nem deixando de gostar. Ela todos os dias tenta dizer a frase que tanto quis quando menina, e ele foge disso.
Um belo dia, após acordar de uma noite maravilhosa de amor, ele encontra um bilhete: "Eu te amo". A mulher agoniza na cama.
Ele a leva para o hospital e o médico diz: "A dose foi grande demais, não podemos fazer nada." Ele sussura em seu ouvido o que ela sempre quis, ela parte em paz.
Hoje ele é um grande poeta, que após cada folha de poesia escreve a seguinte frase: "Acredito no amor, em pleno século XXI."
Sempre lhe perguntam o porquê disso, e ele, de cabeça baixa, responde com sua voz triste e fraca: "O amor não tem porquê".


Escrito por Marília Westin às 13h35
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Pensamentos de um possível presidente

Devemos é nos preocupar com nós mesmos e só. Quem liga para a garotinha que pede esmola no farol? O vidro escuro do meu carro sempre me livra de certas situações como aquele “não” para o moço que vende bala. E o menino que dorme debaixo da ponte? Por acaso já viu algum menino lá? É... Às vezes eles se tornam invisíveis.
As pessoas passam fome, mas eu não. Tenho minha casa, meu dinheiro; não conheço o frio, tenho roupas novas no armário que nunca serão usadas, tenho... bem, já me sugeriram fazer uma doação ao lar não-sei-das-quantas mas as coisas são minhas, eu paguei, eu comprei.
O tráfico financia a violência? Bobagem, um a mais um amenos não vai fazer diferença. Me preocupo com os assaltos mas isso não me impede de relaxar de vez em quando. Falando nisso, tem uma funcionária da empresa que foi demitida por roubo; também, era negra... Por mim não contrataria pessoas assim. Preconceito? Não, precaução.
Agora ta chegando a época das eleições não é mesmo? Odeio ter que enfrentar aquelas filas imensas. Ainda não sei em quem votar, mas estou pensando naquele lá... Como é mesmo o nome dele? Esquece... Não sou eu quem vai salvar o Brasil mesmo. Um a mais um a menos... Enfim, não faz diferença!

Ass: Um Cidadão Brasileiro


Escrito por Marília Westin às 13h34
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Os significados das palavras não me importam

sentimentos, olhares, desejos, isso sim é válido.

 

Um não que sim pelos olhos,

um não que sim pelo corpo,

um não que sim pela boca,

um sim, mesmo que oculto no não.

 

Um sim que medo, um sim que angústias...

Porém

um sim que felicidade, um sim que paixão...

 

Como saber,

se a máscara que insiste em ocultá-lo

faz com que a angústia de um começo intermitente

paire sobre nós?

 

Por hora brigas,

por hora medos,

mas infinitamente, inseparavelmente,

um só ser.



Escrito por Marília Westin às 13h26
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  17/09/2006 a 23/09/2006


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